O anúncio foi feito pelo líder do MST.
O Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) pretende instalar no Rio Grande do Sul, fábricas de fertilizantes orgânicos em parceria com a China. O objetivo seria impulsionar a agroecologia, fornecendo insumos de baixo custo e tecnologia inovadora para a produção agrícola sustentável.
O anúncio foi feito por João Pedro Stedile, líder do MST, durante a Festa da Colheita do Arroz Agroecológico, realizada na semana passada. Segundo Stedile, a iniciativa começou a ser estudada após a visita de representantes do movimento ao país asiático, onde o governo chinês demonstrou interesse em transformar tecnologia e capacitar organizações populares para gerenciar as unidades fabris.
A primeira fábrica será construída em Santa Rita (RS) e atenderá à cadeia produtiva de arroz agroecológico. A expectativa é de que o financiamento seja viabilizado pelo Banco do Brasil. Segundo Stedile, o MST planeja ampliar o projeto e implementar diversas fábricas no país, mas barra na falta de recursos. “Onde é que está o limite? No financiamento”, destacou.
SUPERAÇÃO E DESAFIO
Para o MST, a instalação dessas fábricas representa um avanço na superação de gargalos que impedem a ampliação da agroecologia e a efetivação da reforma agrária. A proposta visa também contribuir para a preservação dos biomas brasileiros e a segurança alimentar da população.
Outro desafio apontado por Stedile é a dependência de sementes importadas. Para contornar esse problema, o movimento defende a criação de um programa nacional de produção de sementes, garantindo autonomia às famílias agricultoras e reduzindo a influência das grandes indústrias do agronegócio.
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Além disso, a modernização da produção agrícola é uma das prioridades. O MST estuda a instalação de fábricas de máquinas agrícolas de tecnologia chinesa no Brasil, incluindo colheitadeiras de pequeno porte e baixo custo. “Vamos trazer duas fábricas de colheitadeiras do tamanho de uma Kombi, com preços de R$ 30 mil. Por que é tão barato? Porque não visa lucro”, explicou Stedille.
Segundo o modelo chinês, as fábricas serão instaladas próximas a assentamentos da agricultura familiar, promovendo geração de emprego e desenvolvimento social.
APOIO GOVERNAMENTAL
Para viabilizar essas iniciativas, o MST defende maior investimento do governo e a redução da burocracia nos processos de financiamento. Stedile enfatizou a importância da mobilização popular para garantir que o governo Lula cumpra compromissos sociais e invista no desenvolvimento das comunidades agrícolas.
“O Brasil tem dinheiro, o Tesouro tem dinheiro. O que falta é pressionarmos para que o governo cumpra o compromisso de incluir o povo no orçamento”, afirmou.
Foto: MST – Fonte: Jornal do Agro