No litoral, a cada passo que a expansão urbana dá em direção ao espaço ‘alheio’, a reposta vem em forma de quilômetros de inundações, alagamentos, deslizamentos, destruição e até morte.
Santa Catarina, no Sul do Brasil, sofre com as abundantes chuvas que atingem a região litorânea do Estado e, mais uma vez, a resposta por parte de especialistas vem de forma técnica, recheada de explicações científicas baseadas em dados de satélites e radares de última geração. Em algumas destas respostas, a explicação é de que “certos tipos de nuvens não são capturadas por estes satélites, ao mesmo tempo, em que dizem que radares meteorológicos não fazem previsão sozinhos”.

A ciência e a tecnologia são dispositivos fundamentais e indispensáveis no que diz respeito a possíveis previsões destes e outros tipos de catástrofes. No entanto, ao que parece, em muitos casos, em especial nos últimos acontecimentos desse tipo na região Sul do Brasil, apesar de contribuir de forma significativa na redução do número de mortes durante estes eventos climáticos, os estudos sobre estes fenômenos continuarão sendo apenas uma “luz de alerta” que irá continuar servindo para o avisar qual é a “hora de correr”. Em outras palavras; “um sino que mostra que a vaca está indo para o brejo”, e que, por muitas vezes, não há tempo de buscá-la.
A pergunta que fica é: Quando é que, de fato, algo será feito por parte dos responsáveis, incluído os prefeitos destes locais, governadores de estado e, empresas privadas que de forma desordenada vão construído cada vez mais imóveis em área de risco, vendendo a peso de ouro a milionários que, sequer moram na região, aumentando assim, o risco de ocorrência de destruição por conta de eventos como esse, que estão se tornando rotina nos litorais de alguns estados Brasil afora. Não falamos das chuvas com alto índice pluvial como risco, isto faz parte da natureza, mas, do estrago que ela promove por conta do desenfreado avanço da população rumo àqueles locais que potencialmente são propensas a catástrofes.
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Prevenir chuvas em altíssimos volumes, por acaso, evita alagamentos, deslizamentos, enchentes que provocam o caos e a destruição? Ou apenas serve para haver alguma chance de que os moradores destes locais possam abandonar seus lares, sair correndo e voltar um tempo depois para ver que tudo aquilo que demoraram anos para construir, bastaram apenas algumas horas ou dias para que tudo fosse destruído?
Não está mais que na hora, das autoridades políticas destas cidades e destes estados que vira e mexe são atingidos por algum evento climático de grande magnitude, focar em algum projeto que privilegie a proteção do que já fora construído nestas áreas, e da população local, ao invés de pensar tão somente no chamado progresso de expansão urbana?

Fechar os olhos para as mudanças climáticas não é coisa de político bem informado, e muito menos de quem realmente pensa no cuidado e na proteção de sua população. A natureza pode ser tudo, menos domável. Portanto, ignorar os claros sinais que ela vem dando, em especial nos últimos anos. Poderá, em um futuro não tão distante, reservar uma amarga e aterrorizante surpresa, principalmente para regiões onde a “porteira” já foi aberta.
O progresso é algo necessário. No entanto, recalcular a rota às vezes é imprescindível para o sucesso deste. O respeito à natureza nunca se fez tão necessário quanto agora. Aqueles que não observar esse importante detalhe, poderão pagar caro, em breve.
Fotos/Vídeos: Reproduções