Um idoso, de 75 anos, foi internado após apresentar sintomas do doença; o relato chocante de uma enfermeira da UTI Covid-19.
A quarta-feira, do dia 1º de abril de 2020, marcou o registro do 1º caso de Covid-19 em Assis Chateaubriand, no Oeste do Paraná. Após apresentar os sintomas da doença, um idoso, de 79 anos foi hospitalizado. Na ocasião, familiares da vítima, devidamente orientados a ficarem isolados durante sete dias para evitar o contágio de mais pessoas, seguiram sendo acompanhados pela Vigilância Sanitária do Município. A informação foi dada pela Secretaria Municipal de Saúde do município.

Na terça-feira, 31, um boletim da SMS informava que havia 16 casos suspeitos de coronavírus em Assis Chateaubriand, destes, seis foram descartados e 9 seguiam sob investigação. Na época, o secretário municipal de Saúde, Renato Augusto Marcon, disse: “A partir de um caso, poderemos ter muitos outros no nosso município”.
PRIMEIRA MORTE POR CORONAVÍRUS EM ASSIS CHATEAUBRIAND
Na tarde da quarta-feira, 3 de junho de 2020, a Secretaria de Saúde de Assis Chateaubriand confirmava a primeira morte causada por coronavírus no município. Uma senhora, de 79 anos, portadora de diabetes e hipertensão, estava internada a 12 dias no Hospital Moacir Micheletto, após ser atendida no ambulatório. A informação na época foi dada pelo secretário de Saúde, Renato Augusto Marcon, na página oficial do município, no Facebook.

SEGUNDA MORTE POR CORONAVÍRUS EM ASSIS CHATEAUBRIAND
No final da noite de quinta-feira, 5, a Secretaria de Saúde de Assis Chateaubriand informava a segunda morte causada pelo coronavírus no município; uma mulher, de 37 anos, com obesidade constatada com a única comorbidade, internada no dia anterior, no Hospital Moacir Micheletto, não resistiu às complicações respiratórias causadas pela Covid-19 e foi a óbito.

MORTE DE MENINA DE 11 ANOS
A Secretaria de Saúde de Assis Chateaubriand foi comunicada pela 20ª Regional de Saúde, na tarde desta quinta-feira (16), da morte de uma criança de 11 anos com suspeita do novo coronavírus (Covid-19).
A menina deu entrada no Hospital São Lucas, na noite de terça-feira (14/4/2020), com sintomas como febre e dor de cabeça, e com a evolução do quadro clínico, foi encaminhada durante a madrugada para o Hospital Universitário do Oeste do Paraná (Huop), em Cascavel, mas não resistiu às complicações.

Com a suspeita, ainda no município, a equipe epidemiológica fez a coleta do exame e encaminhou a amostra para análise do Laboratório Central do Estado (LACEN), que deverá confirmar ou não que o óbito foi causado pelo vírus.
Com a morte suspeita, a Secretaria Municipal de Saúde deu início a uma investigação conjunta com os dois hospitais envolvidos no caso e a 20ª Regional de Saúde.
RELATO DA FAMÍLIA
A família relata que a criança teve diagnóstico positivo para dengue e o quadro evoluiu para pneumonia. O teste rápido para Covid-19 deu positivo, mas há margem de erro. A criança não teve contato externo e, se for confirmado Covid, a família não sabe como pode ter acontecido.
Até esta data (3/6/2020), 33 casos da doença haviam sido confirmados oficialmente no município e, outros 16 testes realizado em laboratório particular aguardavam validação do Ministério da Saúde e da Secretaria de Estado.
DE JANEIRO A MARÇO DE 2021, 25 PESSOAS MORRERAM EM ASSIS CHATEAUBRIAND EM DECORRÊNCIA DE CORONAVÍRUS
A Secretaria de Saúde de Assis Chateaubriand divulgou, nesta quarta-feira (31/3/2021), um relatório contendo dados em relação aos óbitos de pessoas que tiveram complicações do Covid-19 desde o início do ano.

O mês de março de 2021 foi o mais preocupante. Foram 25 óbitos em 31 dias, sendo 13 do sexo feminino e 12 masculino. Destes, 6 com idade inferior aos 50 anos. Outros 5 óbitos de pessoas com idade entre 51 a 60 anos e outras 14 pessoas com idade superior aos 61 anos.
De janeiro até março, foram 39 mortes por complicações do Covid-19. Além das 25 de março, ainda teve registro de 4 no mês de fevereiro e outras 10 em janeiro.

Segundo o secretário de Saúde, Fabio Fantin Camilo, o perfil epidemiológico mudou muito em relação ao ano passado. “Somente no mês de março foram confirmados em Assis Chateaubriand 675 casos de Covid-19, no ano de 2020 foram 1.244 casos e neste ano, somente nestes 90 dias, já contabilizamos 1.503, estamos com mais de 200 casos a mais que todo o ano de 2020. Por isso, novamente fazemos um apelo a todos os moradores para poderem redobrar os cuidados, pois vivemos num momento crítico, além de muitos casos, infelizmente muitos óbitos, pois tivemos quase uma morte por dia neste mês de março. Vamos evitar aglomeração, uso de máscara, higienização das mãos com água e sabão, álcool, não realizar e nem participar de festas clandestinas”, salientou Fábio.
Com relação aos leitos de UTI na região, ainda continua da mesma forma, ou seja, lotados, com 100% de ocupação e, o que é pior, com pessoas aguardando uma vaga.
AMBULATÓRIO COVID-19 EM 2021
Conforme detalhes da Secretaria de Saúde de Assis Chateaubriand, neste ano de 2021 foram realizadas 10.566 consultas médicas e de enfermagem. Coleta de exame SWAB foram 1.287 e 259 de teste rápido.
BOLETIM DA SECRETARIA DE SAÚDE SAÚDE DE ASSIS CHATEAUBRIAND: 7/06/2023
Um novo caso de Covid-19 foi confirmado em Assis Chateaubriand, através do boletim desta quarta-feira (7), totalizando 10.177 pessoas contaminadas. Destas, 10.030 estão curadas. O caso positivo trata-se de uma mulher com 31 anos de idade. O novo boletim consta que o total de exames com resultados negativos é de 9.361.
NÚMERO DE MORTES
Até o dia 7/06/2023, Assis Chateaubriand registrou 147 óbitos por complicações da Covid-19. destes, 66 eram mulheres e 81 homens.

RELATOS CHOCANTE DE ENFERMEIRA QUE ENFRENTOU A MAIS DURAM ONDA DA COVID-19
Em um momento onde o número de infectados e de morte atingia seu ápice, em Assis Chateaubriand, uma enfermeira que trabalhava na UTI do Hospital Moacir Micheletto, durante uma conversa conosco, na condição de amiga de nossa família. Não conteve as lágrimas e desabou a chorar. Segundo ela, as equipes se doavam ao máximo para salvar vidas, no entanto, todo o esforço não era o suficiente e, quase que diariamente presenciavam pessoas indo a óbito, inclusive, segundo a profissional de Saúde, na maioria, por conta da ansiedade que tomava conta destes paciente que, mesmo diante do aumento do fornecimento de oxigênio necessário, que, conforme descrito por ela, consistia em fases, as quais representava uma quantidade maior a cada uma delas e, mesmo assim, estes acabavam precisando ser entubados e muitos iam a óbito.

Segundo esta enfermeira, não foi uma só vez em que ela se deparou com profissionais de saúde, inclusive médicos chorando escondidos por não conseguirem salvar a vida de vários pacientes. O ambiente era de muito trabalho, porém, de muita tristeza em meio a tantas vidas que se foram. “Todos que trabalham no hospital, quando isso passar, precisarão passar por tratamento psicológico”, disse a enfermeira.
ASSIS CHATEAUBRIAND NUNCA MAIS FOI A MESMA
Dificilmente algum morador da Cidade Morada Amiga não tenha sofrido direta e indiretamente os efeitos da Covid-19. Seja por meio da própria contaminação física e abalo psicológico e sentimental. Quando não era um familiar, um amigo, um colega, conhecido, ou a notícia de que mais uma pessoa havia morrido, tornava a atmosfera mais pesada, triste e cheia de dúvidas: “amanhã poderá ser eu”.
Famílias foram destroçadas, a maioria não pode se despedir do seu ente querido que, em um caixão lacrado, seguiu para a sua última morada aqui na terra. Casos de pessoas que, estando sob ‘quarentena’, não puderam dar o adeus a seus pais que faleceram por conta do coronavírus.

Uma família que o ponto forte sempre foi a união, a alegria também demonstrada nas tardes após o trabalho, onde ele, Sidnei Targon, o saudoso “Gauchinho” dava voltas de moto com seu pequeno sobrinho em frente à casa dos pais. Hoje em dia, já não é mais a mesma, até hoje, trazem estampada nos rostos a tristeza pela partida precoce de um filho querido que, no próximo dia 16 de abril, completa 4 anos de sua partida.
A Covid-19, assim como no resto do país, em Assis Chateaubriand deixou marcas profundas na maioria da população e, mesmo após 5 anos do registro do primeiro caso, estas marcas ainda continuam evidentes em muitas famílias que ainda tem viva na memória os momentos de terror, angústia, dor, tristeza, luto e saudade daqueles que foram e que sequer puderam se despedir.
Fotos: Ilustrações.