Ao menos 16 mortos, mais de 100 desaparecidos e mil desabrigados.
Chuvas torrenciais causaram enchente e alagamento na cidade portuária de Bahía Blanca, localizada no Sul da província de Buenos Aires, na Argentina. Uma tragédia que deixou ao menos 15 pessoas mortas, cerca de 100 desaparecidas e danos estimados em US$ 400 milhões (cerca de R$ 2,3 bilhões).
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Entre os casos mais dramáticos está o de duas meninas, de 1 e 5 anos, arrastadas pela correnteza. Buscas estão sendo feitas com o auxílio de mergulhadores e equipamentos aquáticos.

Bahía Blanca, 12ª cidade mais populosa da Argentina, foi arrasada por chuva de meio ano em poucas horas no pior temporal de chuva já visto no Sul de Buenos Aires.

A cidade portuária de Bahía Blanca, na Argentina, foi arrasada após ser atingida por um volume de chuva equivalente à metade de um ano inteiro em poucas horas, causando a morte de 16 pessoas e deixando centenas de desabrigadas.

Duas meninas — de quatro e um ano, segundo relatos — estavam desaparecidas, possivelmente arrastadas pelas enchentes após a tempestade de sexta-feira. As crianças desaparecidas “podem ter sido levadas pela água”, disseram as autoridades.

O dilúvio deixou hospitais submersos, transformou bairros em ilhas e cortou a eletricidade em diversas partes da cidade. A ministra da Segurança Nacional, Patricia Bullrich, afirmou que Bahía Blanca foi “destruída”.

O número de mortos subiu para 13 no sábado e foi elevado para 16 neste domingo, após ter sido inicialmente registrado como 10 na sexta-feira, segundo o governo argentino.

O gabinete do prefeito alertou que mais vítimas podem ser confirmadas na cidade de 350 mil habitantes, localizada a 600 quilômetros ao sudoeste da capital Buenos Aires. Pelo menos cinco das vítimas morreram em rodovias alagadas, possivelmente presas em seus carros enquanto a água subia rapidamente.

A tempestade, que começou na manhã de sexta-feira, despejou 350 mm de chuva na região em apenas oito horas, mais da metade da média histórica de precipitação anual.

A revolta tomou conta no sábado, quando ministros argentinos tentaram visitar um bairro afetado. Moradores reclamaram que os políticos deveriam ter ido ao local na noite anterior, segundo um vídeo compartilhado nas redes sociais.

Algumas pessoas tentaram arrastar a ministra da segurança Patricia Bullrich em direção às águas da enchente, gritando “se molha!” e outras palavras de protesto, antes que a ministra fosse retirada do tumulto por policiais e funcionários do governo.
O número de desabrigados no sábado era de 850, abaixo do pico de 1.321, conforme o gabinete do prefeito. A tempestade forçou a evacuação do hospital José Penna, com imagens mostrando enfermeiros e outros profissionais de saúde carregando bebês para um local seguro. Posteriormente, o exército ajudou na operação.

A mídia local mostrou imagens de lojas inundadas e relatou saques durante a madrugada. O governo autorizou um auxílio emergencial de 10 bilhões de pesos (cerca de 9,2 milhões de dólares na taxa oficial de câmbio) para a reconstrução.

Intensas áreas de instabilidade se formaram na madrugada da sexta-feira (7) na dianteira de uma frente fria entre La Pampa e o Sul da província de Buenos Aires, organizando vários sistemas convectivos na região em meio ao ar quente e excessivamente úmido que atuava na região.

Com o bloqueio atmosférico da Alta Semi-Estacionária do Atlântico Sul, naquele momento a Leste do Rio Grande do Sul sobre o Atlântico, criou-se uma situação de bloqueio atmosférico com supressão da chuva e intenso calor entre o Sul e o Sudeste do Brasil. Com o bloqueio, o canal principal de umidade da América do Sul, vindo da Amazônia, que normalmente estaria nesta época do ano orientado para o Sudeste do Brasil, canalizou a umidade pelo interior do continente em direção ao sul para o Centro da Argentina.

Os dados indicavam no final da madrugada e no começo da manhã da sexta valores de água precipitável muito elevados na região de Bahía Blanca por conta justamente deste corredor de umidade.
Fotos: Armada Argentina-Vídeo: Reproduções – Fonte: Metsul