O presidente norte-americano, na verdade, defende o uso de cédulas em papel.
Alexandre de Moraes usou a sessão da 1ª Turma do STF para afirmar que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teria elogiado o sistema eleitoral brasileiro. Segundo o ministro, as urnas eletrônicas foram citadas como exemplo em um decreto assinado por Trump.
Durante o julgamento da denúncia contra Jair Bolsonaro, Moraes disse que o documento norte-americano reconhecia a “lisura” das eleições brasileiras. Ele comparou o decreto assinado por Trump a um decreto autônomo do Brasil e afirmou que a medida norte-americana adotava o modelo nacional como referência de segurança.
A declaração, no entanto, não corresponde ao conteúdo oficial. O decreto menciona o Brasil apenas uma vez – e não é para elogiar as urnas eletrônicas. O texto cita o país como exemplo de nação que usa dados biométricos para identificar eleitores. Não há nenhum juízo de valor sobre o sistema eleitoral brasileiro.
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O documento, publicado no site oficial da Casa Branca, tem como foco a exigência de provas de cidadania para votar. Em um dos trechos, o texto afirma”Índia e Brasil, por exemplo, estão vinculando a identificação dos eleitores a um banco de dados biométrico, enquanto os Estados Unidos, na maioria, dependem da autodeclaração de cidadania”. Essa é a única menção ao Brasil.
Trump também comentou o tema em entrevista na segunda-feira, 24. Defendeu o uso de cédulas em papel, criticou o atual sistema norte-americano e apontou a França como referência.
A distorção passou desapercebida pelos demais ministros. Nenhum deles comentou a fala de Moraes. A sessão terminou com a aceitação unânime da denúncia contra o ex-presidente e outros seis investigados, que se tornaram réus por tentativa de golpe.
Foto: Reprodução – Fonte: RO